segunda-feira, 25 de julho de 2011

"PERCEPÇÃO EXTRA-SENSORIAL" E "SEXTO SENTIDO"




 “PERCEPÇÃO  EXTRA-SENSORIAL”  E  “SEXTO SENTIDO”



Muitos de nós conhecemos a forma de o nosso cérebro captar as informações do meio ambiente para o seu interior, a fim de criar e manter a nossa extraordinária vida mental. É por meio dos cinco sentidos: visão, audição, gustação, olfação e tato, que logramos conhecer o nosso mundo exterior e as condições internas do nosso organismo. Deste modo, o sentido da vida animal, principalmente dos humanos, depende das informações que colhemos,armazenamos e conservamos dentro do cérebro; ainda que, no começo da nossa vida, alguns desses conhecimentos e comportamentos são geneticamente adquiridos; como: o automatismo de certos reflexos infantis.

Esta é a forma convencional de o cérebro receber os dados do mundo externo e usá-los da melhor forma possível para adequar à vida o seu portador. Essas informações do meio externo, captadas pelos órgãos dos sentidos, são canalizadas para o sistema nervoso central, em forma de impulsos eletroquímicos, codificados de acordo com as características peculiares de cada estímulo. Chegando ao cérebro, esses impulsos são decodificados e armazenados em locais geneticamente programados, ainda não inteiramente conhecidos; embora já se tenha evidências capazes de logo conhecermos melhor, as formas de gravarmos e retermos os traços de memória, de criarmos os pensamentos, elaborarmos as idéias, etc.  Quando isto acontecer,creio que ficará mais esclarecido o mistério que cerca a mente e, por certo, a fronteira entre o físico e o mental tornar-se-á mais tênua. Desta maneira, é fácil de se ver que o viver inadequado, individual ou social, é conseqüência de um cérebro com pouco conhecimento, escassa cultura e reduzido saber, gravados em seus neurônios e, conseqüentemente, sem condições de criar uma Mente rica, sadia, positiva e útil a si e aos demais.

As exceções dessa pobreza mental que leva a uma vida inadequada e infeliz ficam por conta das deficiências cerebrais genéticas, congênitas, adquiridas ou traumáticas. Mas, é provável que o cérebro possua outras formas de captar os estímulos ambientais, além dos cinco sentidos já conhecidos e citados. Há muito se especula sobre a possível  existência de outros modos de recebermos informações do meio ambiente. Um “Sexto Sentido” vem sendo imaginado por alguns, principalmente por escritores de ficção. Muitas pesquisas foram realizadas a fim de se comprovar a veracidade dessa hipótese, especialmente por estudiosos da Parapsicologia, ramo do conhecimento que se dedica aos fenômenos considerados, ainda, extraordinários. Mas, não é somente a Parapsicologia que estuda tão intrigante assunto. A “Ciência Oficial”, principalmente a Psicologia, vem envidando esforços nesse sentido e os relatos Psicobiológicos sobre as percepções “paranormais” têm se acumulado nos últimos anos.

Em pesquisas mais recentes, as evidências de novas fronteiras perceptivas estão sendo consideradas sob o rigor físico experimental. Nos EUA, há poucos anos, os fenômenos relacionados com o “Estado de Morte Aparente” (EMA), têm sido estudados com muito interesse por pesquisadores da Psicologia e da Medicina, encontrando-se alguns indícios sólidos de que possuímos a capacidade de captarmos e pressentirmos acontecimentos do meio físico, além dos cinco modos naturais que conhecemos. Ouvindo históricos de uma dezena de pessoas, verificamos que o fenômeno da “percepção extra-sensorial” encontra-se mais presente em Mães, nos acontecimentos relacionados com filhos ausentes, doentes, atravessando dificuldades ou passando por perigos iminentes. Este sentimento, condição e pressentimentos maternos, devem-se à grande ligação física, emocional e mental existente, por ter sido ele, o fruto do seu ventre. Embora essa capacidade perceptiva seja mais natural e evidente na mente materna; ela, também está presente, em menor intensidade, nos pais, amigos, parentes e nos verdadeiros amantes, naqueles onde o Amor autêntico reside, de fato. A percepção extra-sensorial ou o sexto sentido é quase exclusivo nas mulheres, pelo motivo óbvio de que somente elas são capazes de gerar filhos (embora, não irá nos assustar se brevemente, alguns homens se engravidarem). Se, de fato, temos mais essa capacidade perceptiva, pouco ou nada explorada nas condições normais da nossa vida; então, descortina-se um rico potencial de novos conhecimentos ...e poderes. 

Exercitar e poder usar novas percepções sensoriais, fazem-nos acenar com uma imensa possibilidade de melhorarmos os relacionamentos sociais e inúmeros outros benefícios práticos. A “extra-sensibilidade” tem sido verificada com maior intensidade nos estados alterados da consciência, como por exemplo, no “estado de coma”. Alguns históricos de fatos desta natureza foram relatados por profissionais que atuam no campo cirúrgico,quando os pacientes estiveram em coma, ou foram declarados, clinicamente mortos. Esses pacientes, ao “ressuscitarem”, fizeram declarações posteriores sobre o que lhes tinham acontecido durante o tempo em que estavam inconscientes, naqueles momentos mais dramáticos de suas existências. Suas estórias guardam evidentes semelhanças entre si; e são impressionantes no que tange a fatos ainda pouco conhecidos pela Ciência; bem como, pelo mistério que sempre envolveu esses estados de “ausência” e de obnubilação da consciência. As obras escritas sobre o EMA (Estado de Morte Aparente) provocaram grande polêmica nos meios científicos e leigos. De modo geral, há muita descrença entre os primeiros, porque as conclusões dos autores daquelas obras apoiaram-se em relatos obtidos dos próprios pacientes. Estes poderiam ter feito suas narrações de acordo com as suas crenças, religião e expectativas de vida e de morte. As estórias desses pacientes que relatavam, dentre outras coisas, o encontro com os seus entes queridos já falecidos; poderiam ser apenas, a manifestação alucinatória do grande desejo deles de reverem aqueles que tanto amaram (e amam).

Quem não gostaria de ter, novamente, em sua companhia, as pessoas que nos foram tão caras e amadas, como os nossos pais, irmãos, esposos e os amigos verdadeiros?  O cérebro, nos momentos extremos da vida e em situações fisiológicas graves, pode tornar accessível à mente, o seu vasto estoque de memória, proporcionando a ela a criação instantânea de imagens, sons, odores e outras percepções anteriormente assimiladas. Além disto, as secreções de substâncias químicas especiais pelos neurônios em agonia podem parecer factíveis as manifestações vívidas de seus anseios afetivos mais acalentados. Mas isso, o cérebro e a mente já fazem! Existe comprovação científica desses fatores neuropsicológicos. Entretanto, um caso relatado por um desses doentes críticos, acompanhado por pesquisadores meticulosos, deu margem a outros debates sobre uma provável “percepção extra-sensorial”. Nesse relato, o paciente ao retornar de sua “morte”, contou que havia estado com os seus parentes falecidos e, entre eles, estava um irmão seu, até então vivo e com saúde, antes daquele paciente ser internado no hospital. Acontece que, enquanto ele estava inconsciente,em estado de coma, o irmão falecia em um acidente de trânsito. O paciente não soubera de maneira alguma que o irmão havia morrido naqueles dias. Se ele não foi informado da morte do irmão, não poderia ter qualquer gravação em seu cérebro, relacionada ao acidente que o vitimou, enquanto ele estava hospitalizado e em coma. Como não tinha qualquer informação e gravação do fato, como poderia a sua mente criar uma fantasia, como argumentaram alguns, sobre um acontecimento que nem de leve passara por seu “estoque” de memória?

Isso deu muito que falar; pois é evidente que ninguém pode pensar, raciocinar, fantasiar ou mesmo sonhar com acontecimentos cujos traços não passaram pelo SNC (Sistema Nervoso Central), principalmente fatos dessa natureza! O paciente em foco comunicara-se com o irmão (ou este com ele; ou ambos) por vias sensoriais ainda desconhecidas por nós, evidenciadas em situações especiais da nossa existência. Por tais razões, é importante termos o máximo de cuidado quando estivermos na presença    de alguém em circunstâncias semelhantes. Todos aqueles profissionais que cuidam de doentes terminais ou que estejam inconscientes, devem observar, criteriosamente, o que dizem e fazem diante deles, pois, podem estar captando o comportamento dos que lhe estão ao redor. Mesmo quando uma pessoa encontra-se desmaiada ou simplesmente dormindo; provavelmente terá alguma via sensorial de “plantão”, aberta para o mundo que a cerca; inclusive para a sua proteção; veja o resultado ao  picar  ou queimar,  de leve, alguém que dorme!

Pessoalmente, acompanhei três casos que corroboram o enunciado deste Trabalho e reforçam os milhares de experimentos de outros pesquisadores mais afamados, na área da Neuropsicologia. Nos três casos observados, ouvimos os relatos dos seus protagonistas que passaram pela situação crítica de terem sido, clinicamente, considerados mortos. Eles recobraram a consciência, depois de demorado estado de inconsciência, em coma profundo. O que nos contaram coincidiu não só entre si; mas também, com os relatos de milhares de outros pacientes que passaram por situação idêntica. Os três nos narraram que ouviam e viam o que médicos, enfermeiros e outros que estavam na sala, discutiam sobre os seus estados de saúde e tinham uma razoável apercepção dos acontecimentos que se desenrolavam ao seu redor. Contaram, ainda, que se entristeceram quando os atendentes não lhes davam atenção e, principalmente, quando aqueles falavam de assuntos frívolos,piadas e outros impropérios, alheios aos seus sofrimentos e angústias, diante de seus corpos inertes. Como exemplos reclamaram (sem poder ser ouvidos) quando os seus atendentes os tratavam com descuido, apressadamente, a fim de se “livrarem” deles para cuidarem de seus interesses particulares; discutiam sobre futebol, novelas e banalidades diversas. Um desses pacientes que analisamos, contou-nos que ficara extremamente angustiado ao ouvir os médicos darem-no como desenganado e se apavorou com a idéia de ser enterrado vivo. Ouviram comentários negativos de familiares e visitantes que diante de seus corpos, falaram da gravidade dos seus estados de saúde e alguns outros comentários que jamais deviam ser falados ao leito de um moribundo.

Este Trabalho foi realizado com a intenção que vai além da individualidade. Aos pais, principalmente às mães e seus filhos, seria aconselhável que dessem ouvidos aos seus pressentimentos, evitando determinadas atitudes, viagens, divertimentos, esportes radicais, etc., quando mal pressagiados!  O mais importante, entretanto, é alertar aqueles que assistem ou estejam diante de pessoas nessas circunstâncias extremas da vida. Médicos, Enfermeiros, psicólogos, atendentes, parentes, amigos e visitas devem se abstiver de fazerem quaisquer comentários que não sejam otimistas para o enfermo, mantendo-se numa conduta respeitosa e de esperança na sua recuperação; mesmo que ele tenha sido desenganado, e mesmo, tido como morto.  Comportar-se assim, é, antes de tudo, uma obrigação ética, um dever cristão e de humanidade.

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Belo Horizonte, verão de 1989;
Ouro Preto, verão de 2011.



CARLEIAL. Bernardino Mendonça.

Psicólogo-Clínico pela Universidade Católica de Minas Gerais;
Estudante de Direito da Universidade Estácio de Sá;
Escritor e Pesquisador nas áreas da Psicobiologia e do Direito.

sábado, 28 de maio de 2011

" O MAU-HUMOR "

O " MAU  HUMOR"



Recentemente,em um programa de televisão, assisti a um debate e uma exposição a respeito do “Mau Humor”. Sobre tão importante tema é relevante tecer mais algumas considerações , haja vista a enorme incidência do “mau humor” sobre as pessoas. É tão grande o número de “mal humorados” com os quais nos relacionamos no dia a dia que está ficando raro encontrarmos pessoas sorridentes em nossas relações comerciais,funcionais,empresariais,escolares e familiares. Se prestarmos atenção nos semblantes e nos rostos das milhares de pessoas que cruzam conosco nas ruas; notaremos as marcas da preocupação,ansiedade e frustrações sentidas e estampadas em suas rugas e vincos faciais.

 Em qualquer lugar,principalmente nas grandes cidades, as ruas estão repletas de pessoas mal humoradas,deixando transparecerem os seus sofrimentos,transtornos mentais,conflitos diversos e tristeza crescente. Para um bom analista e estudioso do fenótipo facial, a visão do rosto humano oferece uma boa compreensão do estado mental negativo de um enorme contingente de pessoas. A repercussão desse desequilíbrio humoral,de tendência crescente e universal,traz consequências desastrosas para todos. Curiosamente esta disfunção do humor é pouco analisada e raramente levada a sério pela Mídia e pelos estudiosos do comportamento humano, quando dão entrevistas e explicações nos meios de comunicação. Nota-se que esses profissionais abordam e argumentam de forma branda, superficial e pouco científica este importante tema.

 Acredito que essa visão simplista se deve ao fato de focalizarem mais os aspectos individual e exterior da pessoa mal humorada; aquele mau humor que ocorre de forma eventual e passageira. Tentaremos expor o assunto de forma mais aprofundada, ao mostrarmos a extensão da gravidade do mau humor a níveis individual e social. Uma pessoa pode “ESTAR” com mau humor ou “SER” de mau humor. A diferença entre o “ESTAR” e o “SER” é de grande importância para o reconhecimento de uma patologia mental. A pessoa pode “ESTAR” de mau humor ocasionado por inúmeros acontecimentos negativos que lhe ocorreram no seu dia a dia; como : perda financeira, desencanto ou rejeição amorosa,perda de parentes e amigos,crise conjugal,injustiça ou incompreensão sentidas;traumatismos físicos ou psíquicos,diagnóstico de uma doença grave,perda do emprego,etc.

Como dissemos, são incontáveis os fatores psicológicos,sociais e biológicos capazes de levar uma pessoa a se comportar com mau humor ocasional ou passageiro. Já o “SER” mal humorado se difere e, na maioria das vezes, é um estado patológico. Trata-se de um transtorno crônico, originado por muitos fatores e causas psico-bio-sociais. As causas principais do distúrbio crônico humoral são os mesmos do mau humor eventual;porém, acrescidos dos fatores biológicos. Os problemas pessoais e sociais que acometem o indivíduo, se não forem resolvidos em tempo hábil, podem se tornar crônicos e a repetição do sofrimento provocará mudanças no seu comportamento,na sua fisiologia,no seu organismo e no seu meio ambiente.

Desta maneira temos a compreensão de como os problemas individuais,se não resolvidos,podem se tornar crônicos e a repetição do sofrer pessoal acarretará prejuízos a todos. Falando assim,poucos creem que um indivíduo mentalmente desestruturado possa vir a afetar o meio ambiente. Vejamos um caso simples de uma pessoa com mau humor eventual(que é considerado normal), por exemplo: um vendedor de uma loja que se sinta rejeitado por sua namorada. Obviamente, ele não trabalhará de bom humor e transmitirá a sua tristeza aos colegas de trabalho,ao seu chefe e aos clientes que atender na loja. Quando sair do trabalho, se for dirigir,durante o trajeto não terá muita paciência no trânsito e por qualquer motivo poderá descarregar a sua frustração nos demais motoristas e nos pedestres; e, ao chegar em casa,por certo projetará o seu mau humor nos seus familiares; criando tensões que se estenderão pelos vizinhos,amigos da família,etc. A sua mente inconsciente(aquelas estruturas cerebrais que geram a mente inconsciente que escapa do nosso controle e da nossa vontade) “descontará” sua frustração (por ter sido rejeitado pela namorada), agredindo as pessoas do seu convívio ou nos estranhos que cruzarem o seu caminho.

Veja as inúmeras consequências negativas que podem ser provocadas por uma única pessoa de mau humor;mesmo que esse seu mau humor seja passageiro,normal e eventual (a rejeição da namorada). Voltando ao seu trabalho de vendedor, é claro que ele irá perder vendas,dando prejuízos a todos. Seus colegas de trabalho e seus chefes podem rejeitá-lo e receber uma punição ou até mesmo perder o seu emprego,com consequências familiares e sociais. Se ele estuda, não deverá ir para a Escola sorridente e feliz; pois o seu mau humor o fará se comportar de forma contrária;ocasionando mais atritos, desavenças e rejeição de seus colegas e professores. Agora,analisaremos o caso de uma pessoa,cujos problemas não foram resolvidos e o seu sofrimento continuou a afetar o seu órgão maior da vida; que é o cérebro, que é o mentor da vida; a estrutura mais perfeita e importante da Natureza; é ele que constrói e destrói vidas e coisas.

O cérebro produz a mente e esta o afeta em suas mais íntimas circunvoluções. Caso os pensamentos de tristeza,frustrações,dissabores,atritos e quaisquer outros sentimentos negativos continuem presentes em sua mente, as estruturas cerebrais que lhes dão suporte sofrerão distúrbios químicos, elétricos,físicos e fisiológicos. Tudo isso acarretará doenças psicossomáticas e mudanças comportamentais negativas para si e para os outros. Poderão lhe advir diversas doenças físicas e psicológicas,como hipertensão,diabetes,úlceras,câncer, agressividade e violência.

Agora, notamos que uma pessoa assim,não poderá se sentir feliz; e , assim,teremos mais uma pessoa agressiva,violenta e mentalmente desestruturada. Sendo infeliz, não poderá sair por aí distribuindo sorrisos e favores ! Muito pelo contrário,irá projetar(descarregar) nos outros(em nós) e no meio ambiente todas as suas frustrações,complexo de inferioridade e dissabores. Agora,extrapolemos este exemplo para todas as famílias e sociedades do Mundo! Quantos bilhões de pessoas estão,agora,neste processo de
desestruturação,mental,psicológico,físico e social ! Será que as pessoas,as populações e as sociedades do mundo atual estão preocupadas com o bem-estar de cada um dos seus membros! Com mais de 6,5 bilhões de pessoas, a maior parte delas está mais preocupada com a própria sobrevivência do que com os cuidados,preservação e respeito aos sentimentos do seu semelhante.

A cada dia, mais e mais indivíduos sofrerão carências afetiva,material e sexual,principalmente aqueles considerados “feios”, pobres ,deficientes e todos os excluídos pelas sociedades mundiais,cada vez mais competitivas e discriminadoras. Esses fatores negativos afetando continuadamente o indivíduo, o levarão a uma grande e crescente frustração, à agressividade e à violência. Imaginemos isso a nível planetário! Facilmente podemos entender porque tornou-se impossível evitar-se o aumento geométrico da agressividade,do ódio,das guerras, da criminalidade e da violência cruelmente chocantes e ferinas. Não foi adivinhando ou consultando bola de cristal que, há 27 anos passados, afirmamos em nosso livro “A Implosão do Homem” que: …”em breve,chegaremos a um tempo em que nenhum homem estará a salvo da agressividade do outro homem ”.

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Nota: O autor agradece aos Drs. Fábio Villarim e André Luíz Silveira,pelo valioso apoio técnico-informático.


São Paulo,11 de dezembro 2010


Autor: Carleial. Bernardino Mendonça;
Psicólogo-Clínico pela Universidade Católica de Minas Gerais;
Estudante de Direito da Faculdade de Direito Estácio de Sá-BH;
Escritor e Pesquisador nas áreas do Direito e da Psicobiologia .

" A DANÇA DOS UMBIGOS "

                              A    D A N Ç A    D O S    U M B I G O S


No mundo oriental, por muitos séculos, o umbigo se destacou entre danças e rebolados, tornando-se um poder de atração e de sedução. Em meio aos véus que lhes deixavam transparecer o corpo, as dançarinas do ventre, agitando os seus umbigos frenéticos, hipnotizavam os homens e arrancavam-lhes o que bem queriam. A cabeça de João Batista foi a mais célebre de suas vítimas. Em nossos dias, sem véus ou grinaldas e, aos montões, os umbigos saíram às ruas e, por eles, já não se perde tanto a cabeça. A oferta em demasia e a quebra do mistério, desmistificam e desvalorizam o produto; esta é a lei fundamental em uma sociedade consumista, vazia, sem rumo e prumo. Em qualquer lugar os umbigos são exibidos sem qualquer cerimônia ou recato. De forma tímida e ousada, estão eles por aí, em toda a parte, por todos os cantos, recantos e lados. Calculo que, neste exato momento, muitos bilhões de umbigos estão às soltas nas ruas, avenidas, passarelas, salas e salões do mundo inteiro. É tão grande a "umbigagem" que, se existirem mulheres em outros planetas, creio que, também lá, estarão elas exibindo os seus umbigos. A "febre" dos umbigos é tão contagiante que poucas, ainda, não foram contagiadas.

Por toda a terra, as mulheres estão com os seus umbigos de fora; mostrando-os com muita desenvoltura e pouco embaraço. Estão à vista de tudo e de todos. Não há regras ou limites para a revoada umbilical que, repentinamente, passou a fazer parte da nossa paisagem diária. Estamos sem  exagero,cercados por umbigos por todos os lados. Eles se apresentam de todas as formas, cores e modelos. Com enfeites ou sem enfeites; nus e crus, de todos os tamanhos, modelos e idade. Desfilam por aí umbigos feios, bonitos, deformados, salientes, retraídos, doentes, sadios, fracos, normais e anormais. Enfim, umbigos de todos os jeitos, para o gosto de muitos e desgosto de poucos. Na passeata dos umbigos, estão solidárias quase todas as mulheres do mundo. O contágio "umbigocionista" ( misto de umbigo+exibicionismo) atingiu a maioria delas,de forma mais democrática possível. Mulheres de todas as posições sociais, credo, raça, cor, peso e tamanho, aderiram a essa gigantesca cruzada umbilical (para a sorte nossa  não é,também,belicosa!). É invejável a solidariedade entre elas! Parece que guiados por um comando invisível e único, os umbigos foram arregimentados, em massa, para esse monumental desfile que, ora, presenciamos. Andando pelas ruas de qualquer cidade; freqüentando qualquer ambiente, por mais insignificante que se considere; nos lares pobres, ricos ou miseráveis, vêem-se umbigos e mais umbigos de fora; uma enxurrada monumental deles!  Afoitos e sem qualquer etiqueta, lá estão eles a nos expiar, por todos os cantos e  encantos. De onde vieram tantos umbigos? Porque, de repente, se desinibiram tanto? Porque se desnudaram desse jeito? Vieram para ficar ou passarão céleres como muitos outros modismos? Meninas que mal saíram das fraldas, já estão a nos mostrar os seus tenros umbigos, condicionadas pelos exemplos de suas mamães que,também, se comprazem em mostrar os seus, para o mundo. Não é raro encontrarmos em uma só ocasião, três gerações de umbigos à mostra: avó, mãe, filhas e netas, juntas e felizes da vida, mostrando, orgulhosa e vaidosamente a Deus e ao mundo, os vestígios de seus cordões  umbilicais. Acredito que o mundo até goste disso; mas, o Todo Poderoso...?  É muito duvidoso que Ele esteja apreciando  esse "umbigocionismo."

Este assunto é muito interessante e provoca indagações que bem merecem ser analisadas. Será que alguém já parou para pensar sobre as razões que levaram a essa revolução dos umbigos? Acho que não; pois são  tantos e tamanhos os problemas da nossa vida diária que não nos sobra tempo para pensarmos em umbigos; muito menos no umbigo alheio. O que deu nas mulheres do planeta que de uma hora para a outra resolveram rebaixar as suas calças e encolher as suas blusas!? Chegarão elas a um limite epidérmico para as roupas? Ninguém sabe ao certo!  Tudo indica que vai depender de mais uma desconhecida  "ordem superior".  Já vemos aqui, ali e alhures, algumas mulheres com os coses das calças tão rebaixados  que se vêem os seus pêlos pubianos. Aliás, estes também, em breve, serão farta e sedutoramente  mostrados, com destemor  e profundidade!  Enquanto isso, outras tantas mostram as suas calcinhas com vaidade e pouca elegância. E quanto às grávidas? Antes, elas cobriam com conforto, segurança e pudor os seus ventres dilatados e, com cuidado e recato, resguardavam os seus fetos dos olhares mais curiosos e impudicos. Hoje!  Nem um e nem outro! Barrigas enormes andam por aí,  saindo fora do reduzido invólucro,com umbigo e tudo, desfilando nas ruas entulhadas de gente e de coisas. Qualquer queda, esbarrão ou pancada podem afetar a integridade física e mental de seus filhos em formação que se encontram  logo atrás dos seus imensos umbigos.

Entretanto, nesse verdadeiro "tulsiname" de umbigos, não são  só eles que estão emergindo impetuosamente das calças; estão sendo,também,mostrados,de mansinho; mas,vigorosamente, o baixo-ventre que de tão baixo já deixa à mostra  o íntimo dos traseiros: este, de origem não tão nobre quanto à dos umbigos! Basta que os umbigos se agachem para vermos o que há milhares de anos o "homo sapiens" (que já não é mais tão sábio assim!) vem escondendo da vista do outro, com muita reserva e pudor. Antes o que se escondia por vergonha; hoje, se exibe com orgulho e vaidade! Pensando bem..., tudo isso é, no mínimo, curioso!

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Belo Horizonte, outono de 2011.

Carleial. Bernardino Mendonça.

 

Psicólogo-Clínico pela Universidade Católica de Minas gerais;

Estudante de direito da Universidade Estácio de Sá;

Escritor e Pesquisador nas áreas da Psicobiologia e do Direito.

 

" A COSTELA DE ADÃO "

                              “ A  COSTELA  DE  ADÃO “ 


“Mandou, pois, o Senhor Deus um profundo sono a Adão,
 e  quando ele estava dormindo, tirou Deus uma das suas
 costelas e pôs carne em seu lugar. E da costela que tinha
 tirado de Adão, formou o Senhor Deus uma Mulher.” (Gê-
 nesis:2,vv.21-22).



Que me perdoe o Senhor Deus ou os primeiros tradutores das Sagradas Escrituras; tenho comigo a impressão, talvez sacrílega, que se deu o contrário: foi da costela de Eva que o Criador tirou Adão. Por vários motivos que neste Artigo procuraremos demonstrar. Durante décadas temos observado e analisado o comportamento humano sob os aspectos psicológico e biológico, procurando entender as motivações internas que levam ao comportamento exteriorizado, quer positivo e/ou negativo. Na verdade, corpo e mente se fundem e não devem ser estudados e analisados separadamente, como se fazia e, ainda hoje, alguns fazem. Assim, sob o enfoque da Psicobiologia, oferecemos à Mulher este resumido Estudo sobre a “Costela de Adão”. Ou melhor, ofertamos às Mulheres-Mães, neste mês, quando se celebra o “Dia das Mães” e o consagramos a mais Bela e Perfeita de todas as mães: A  Santíssima Virgem Maria.

Homenageamos primordialmente as mães que tiveram e tenham como modelo a Mãe do Senhor. Imaginemos o quão perfeita e primorosa  foi a educação do Menino Jesus, no seio da Sagrada Família! Podemos vislumbrar os modelos de pais que foram José e Maria, quando aqui estiveram, criando, educando e cuidando de Jesus!  Pensemos no exemplo de Mulher, Esposa e Mãe que foi Nossa Senhora para o Esposo e Filho Divino! Ela que amamentou, fez dar os primeiros passos e educou o nosso Salvador! Pois é para as mães como ela que, agora, homenageamos. Comparemos a educação, zelo e formação que a Celeste Mãe deu ao seu Filho, com a formação e educação que a maioria das mães de hoje estão dando aos seus filhos!  Ainda, de acordo com as “Sagradas Escrituras”, o homem foi feito à imagem de Deus. É difícil  acreditar que nos dias atuais, em qualquer lugar do Planeta, alguma família esteja criando,formando e educando filhos semelhantes à imagem de Deus ! É certo que, pelo menos em algumas pouquíssimas famílias, mães estejam seguindo o exemplo da Mãe de Deus, que tão bem modelou Jesus com o seu exemplo sagrado. Sabemos que existem dessas raríssimas exceções familiares porque ainda estão entre nós alguns membros das famílias de Madre Tereza de Calcutá, de Irmã Dulce, do Papa João Paulo ll e de alguns poucos exemplos da verdadeira educação familiar.  É para elas, essas preciosas e escassas mães, que oferto, também, este Trabalho.

Todavia, a dedicatória e homenagem que presto, estão dirigidas a todas as mães, com especial apreço àquelas mães maduras que souberam modelar filhos honestos, patriotas, cultos, competentes, humanistas e cristãos. Mães trabalhadoras, dedicadas, femininas, humildes, pobres ou não que, com os seus exemplos e esforços, nos deram Homens autênticos e úteis à Humanidade. Mães do passado, que ao invés de matarem no ventre os seus filhos, optaram por salvá-los, mesmo quando avisadas por parteiros e médicos que somente um deles poderia ser salvo: Ela ou o Filho! Algumas dessas valorosas Mulheres morreram por eles! Hoje, muitas matam os filhos e por eles são mortas também, por um punhado de moedas para comprarem drogas. Louvamos as mães que sofrendo ao lado de maridos insanos, permaneceram e permanecem firmes na defesa do lar, da família e da própria Nação, que não as merece! Rendemos tributo às esquecidas Mães dos nossos soldados (pracinhas) que entregaram os seus amados filhos (às vezes filhos únicos), para lutarem pela Pátria, em solo estrangeiro, na Segunda Grande Guerra Mundial; de onde muitos deles jamais voltaram aos braços e abraços maternos!  Não podemos deixar de homenagear as centenas de mães solitárias, esquecidas e humildes dos policiais, bombeiros e outros profissionais vivos ou que tombaram na guerra diária contra as forças do Mal, protegendo uma Sociedade, enferma, desestruturada, insana e hipócrita que valoriza,enriquece e idolatra os nulos e os vazios de cérebro, mente e corações.

Penso que somente estas mães e suas famílias, são merecedores do sacrifício de seus filhos e não isto, que chamamos de Sociedade. São os filhos dessas Mães a quem recorremos, quando estamos pálidos, a tremer de medo diante dos inúmeros marginais e desequilibrados que nos ameaçam diariamente! Depois de passado o perigo, nem podemos agradecer-lhes por nossa vida salva, porque não as conhecemos e, o que é mais grave, nem queremos conhecê-las! Além de hipócritas, somos também desumanos e mal-agradecidos! Pois bem; são para essas gloriosas mães que presto sinceras homenagens em nome dos gratos e dos ingratos cidadãos que lhes devem a segurança. Mães que não encontramos muitos exemplos em nossos conturbados dias, em que a maioria absoluta está entorpecida pelo modismo, pelo exibicionismo físico de seus corpos, pelo afastamento de Deus e pela deterioração física e mental causada por décadas de condicionamento da televisão, através das novelas degradantes, do cinema, do teatro  e por todo o lixo moral,psicológico e espiritual destilados por alguns dos nossos meios de comunicação que se infiltram em nossos lares, sem a nossa autorização.

As mulheres viveram, por séculos, sob o jugo de homens mentalmente desequilibrados. Desequilibrados porque não é concebível que uma pessoa mentalmente sadia, necessite dominar outrem. Quem quer que exerça dominação sobre outra pessoa, demonstra sintoma de carência; carência essa que procura ser compensada através do “poder” agressivo ou violento. O domínio é sempre exercido com agressividade, violência ou maneiras sutis de sedução e condicionamento. Podemos dizer que a emancipação feminina se iniciou no Século XVIII, com os primeiros movimentos de contestação contra a dominação masculina. Desde aquela época, na Inglaterra, a Mulher vem se destacando em todas as áreas da atividade social, sobressaindo-se em funções até então reservadas aos homens. Nas Ciências, nas Artes, na Literatura e nos esportes, as mulheres têm atuado com competência e seriedade, muitas delas em trabalhos pesados e forçados, além da prática em lutas agressivas como o Box, futebol e outras de embates físicos e corporais (nestes, que se cuidem os homens!). Se atentarmos para a prática feminina na atualidade social, verificamos que as atividades mais simples, como dirigir veículos, por exemplo; nota-se que a Mulher no volante tem dado bons exemplos aos homens, pois não há dúvida que a Mulher-motorista tem provocado menos acidentes que eles.

No País desgovernado, irresponsável e violento como o nosso, líder na criminalidade no trânsito e fora dele; é um alívio verificarmos que as mulheres estão, cada vez mais, assumindo a direção dos veículos, nas nossas cidades. Em meio da violência bestial de homens-imaturos motorizados (principalmente na era moykana), é tranqüilizante quando vemos que o carro que está ao nosso lado ou o que está na nossa traseira  é dirigido por uma Mulher; pois, saberemos que não iremos ouvir buzinadas, “freadas” e/ou “arrancadas” bruscas,violentas e burras de exibicionistas imaturos e perigosos, recém-saídos das fraldas. Por certo ela irá respeitar os semáforos, fará a gentileza de deixar que os pedestres retardatários atravessarem a frente de seu carro, num gesto de benevolência, educação e respeito ao próximo que somente a mulher-motorista e alguns homens educados, inteligentes e maduros sabem fazer. Além disso, quando é uma mulher que está ao volante do carro ao nosso lado, dificilmente nos forçará a ouvir aquela barulheira infernal, de milhares de decibéis, que saem das “bocas” dos muitos alto-falantes daqueles motoristas infanto-juvenis.

Mais tranqüilidade nos dá no trânsito é quando vemos uma Mulher-Mãe dirigindo. O seu cuidado é redobrado, mesmo que esteja a levar os filhos à escola, ao hospital, à creche, à ginástica, ao tratamento de um filho doente! Mesmo assim, ela não se apressará ao ponto de desrespeitar  as normas do trânsito e de civilidade ao volante. Mesmo estando atrasada ou preocupada em alguma atividade particular, a mulher-motorista (com algumas exceções) tem mais paciência e respeito que qualquer homem-imaturo-morista. Comparar uma mulher dirigindo a um moykano-insano no volante; é uma verdadeira heresia e um atentado aos bons costumes. Além disso, verifica-se a índole pacifista e sadia da Mulher  nas suas raras participações em crimes como os de estupro, desvios de verbas, assaltos, atentados e outros delitos cruéis e violentos, cuja presença feminina se dá mais como vítimas que autoras. É claro que, se as mulheres-imaturas-moykanas continuarem a imitar os comportamentos negativos dos homens imaturos e insanos ( o que está acontecendo a “passos-largos”); irão elas vencê-los, também nessa competição desastrosa para elas e para todos nós!
Acredito que o comportamento positivo das mulheres no trânsito se explica porque elas não querem que aconteça com os outros o que pode acontecer com os seus entes queridos. Ao contrário da maioria dos motoristas-imaturos que pensam unicamente em si e no próprio umbigo; além de olharem para os umbigos alheios, em pleno trânsito, causando muitos desastres.

Daí, verificarmos poucos acidentes graves provocados pela mulher no trânsito; trânsito esse que provoca cerca de 350 mil acidentes por ano no Brasil, com mais de 50 mil mortos e outros milhares de paralíticos, órfãos, viúvos, lares desfeitos e enfermos que causam bilhões de reais em prejuízos aos cofres públicos com o atendimento a essas vítimas da irresponsabilidade generalizada e reinante. Além da pacificadora, tranqüilizadora e competente  presença da Mulher nas nossas várias atividades diárias, louvamos e aplaudimos a sua índole pacífica( talvez genética) e o seu amor maternal, não somente por seu filhos; mas, também, pelos filhos das outras mulheres. Pode-se notar o semblante angelical de toda e qualquer Mulher ao se tornar Mãe. Na face de cada uma delas estão estampados os traços inefáveis do rosto virginal da Virgem Maria. A Mulher-Mãe deve ser sublimada por todos, não somente no segundo domingo de maio; mas, em todos os dias, meses e anos de nossa vida e por todos os séculos e séculos...Amém !


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Belo Horizonte, Dia das Mães, maio de 2011.


CARLEIAL. Bernardino Mendonça.


Psicólogo-Clínico pela Universidade Católica de Minas Gerais;
Estudante de Direito da Universidade Estácio de Sá;
Escritor e pesquisador nas áreas da Psicobiologia e do Direito.

 

" A PERMISSIVIDADE SEXUAL "

        " A   PERMISSIVIDADE   SEXUAL "


Os seres humanos são animais sexualizados como quase todos os demais seres vivos. Porém, nos tornamos uma espécie hipersexualizada, pelo condicionamento excessivo de estímulos erotomaníacos que atingem, a todo  o momento, a nossa mente consciente e inconsciente. Esses bilhões de estímulos diários que vêm erotizando, patologicamente, o nosso cérebro, se originam dos meios de comunicação, principalmente da televisão, que há décadas vem nos condicionando “a violência, ao sexualismo degenerado e exacerbado, à traição, à corrupção, à desestruturação familiar e outros tantos  males individuais e sociais. Basta que se assista aos filmes,novelas, publicidades e muitos outros programas (e, até alguns ditos “infantis”), para verificarmos o quanto o “Mal” é glorificado e  o “Bem” é ridicularizado; impondo-nos uma verdadeira inversão de valores.   

Muitos pais que procuram tratamento psicoterápico, preocupados com os distúrbios psíquicos familiares não sabem que são vítimas  da erotização precoce  de seus filhos, recém-saídos  da puberdade. Esses distúrbios estão se tornaram comuns em nosso tempo. Os psicólogo-clínicos e psiquiatras são testemunhas dessa avalanche de problemas psicossexuais. O que uma determinada Senhora nos relatou sobre o seu caso, evidencia os transtornos pessoais, familiares e sociais gerados pela permissividade sexual reinante nos dias atuais. O que levou aquela jovem mãe ao consultório foi o grande sofrimento familiar em torno de sua filha de 14 anos. Esta desestabilizou a família com o seu comportamento sexual intenso e promíscuo; um autêntico caso de ninfomania. A garota já não conhecia limites para a sua precocidade sexual e procurava extravasar a sua angústia erótica nos amigos, conhecidos, parentes e até em desconhecidos encontrados ao acaso, de qualquer nível social, etário e econômico. A família já havia “tentado tudo”, desde agressões físicas até o seu confinamento em casa de parentes distantes, sem obter resultados positivos; até procurar a terapia mental.

Casos como este não são raros e são difíceis de solução, tendo em vista que tal comportamento deixa marcas profundas e seqüelas traumáticas na personalidade, como abortos, depressão, decadência  psicofísica , drogas e doenças sexuais.  O sexo está presente em todas as atividades e momentos da nossa vida. Utilizam-se todos os meios e formas de exploração sexual, quase sempre com fins lucrativos desse mercantilismo desenfreado. Procura-se vender tudo através do sensualismo e da provocação e depravação erótica. Poucos são os apelos publicitários que não empregam o sexo como atrativo de vendas e, de forma cada vez mais vulgar e depreciativa, não só dessa atividade tão natural e espontânea; como, também, da imagem da mulher. O que surpreende é ver que muitos dos publicitários e artistas que colaboram na vulgarização do corpo feminino são justamente mulheres.

A mulher é mais visada como alvo do erotismo vulgar e espetacular porque sofre milenar condicionamento para se preocupar, principalmente, com o seu exterior epidérmico e com o seu contorno periférico. Usa-se, fala-se, pensa-se, persegue-se e  cultiva-se com ansiedade os cabelos, seios e traseiros; mais do que com a saúde e a inteligência.  Quando há uma preocupação exagerada sobre uma atividade que é natural; é porque ali existe problema!  Se alguém se “alimenta” de sexo..., por certo a sua área sexual no cérebro está carente e afetada. Se o sexo, por si mesmo, promovesse  felicidade ou  superioridade, a atual geração seria campioníssima em felicidade e em sabedoria. Não se pode negar que a atividade sexual pode ser fonte geradora de bem-estar e saúde; mas, somente quando praticada com responsabilidade, maturidade, amor e afetividade. Não há evidência científica que o sexo é indispensável à sobrevivência individual.

Muitos Homens viveram e vivem de forma asceta e casta, como Ghandi, Cristo, Tomás de Aquino, Tereza de Calcutá, Irmã Dulce, Anchieta e outros gigantes do espírito e da Ciência, Artes e Letras que estão além, mentalmente, dos nossos contemporâneos  tão sensualistas.  Vale ressaltar que o ascetismo e a castidade não são sinônimos de assexualidade; mas, sim, de domínio consciente sobre os impulsos libidinosos. O excesso sexual quase sempre é mais prejudicial que a sua escassez. A carência sexual pode ser sublimada através do trabalho e da criação. Os impulsos sexuais podem ser canalizados, com muito acerto, para as atividades criativas com recompensa para o indivíduo e para toda a coletividade. Existem inúmeras formas de prazer, além do sexismo, sexualismo e erotismo.  Talvez até os hipossexualizados sejam mais saudáveis que os hiperssexualizados (é claro que toda regra tem exceções), visto que, se descermos na escala zoológica, verificamos que os animais inferiores como as galinhas, ratos, baratas, moscas, coelhos e outros menos radicais; são muito ativos sexualmente. Se a natureza tivesse priorizado o sexo com a importância que a maioria das pessoas lhe dá, os coelhos e as moscas seriam os reis da bicharada e os mentores dos humanos.

Que o sexo é fundamental para as Espécies, não resta dúvida; mas, para o indivíduo, este fundamento é questionável. Não se duvida que o prazer erótico é muito agradável e salutar, como já dissemos antes, desde que o envolvimento aconteça entre pessoas saudáveis, maduras, conscientes e responsáveis. Qualquer variação neste contexto, ditado pelas regras da Natureza; não passa de desvio sexual, rotulado de sensualidade moderna, quase sempre punível por enfermidades, vícios, dependências, criminalidade, etc.. É preciso lembrar que as manifestações sexuais infantis são comportamentos esperados durante o desenvolvimento da personalidade. Entretanto, deixam de ser normais se essas manifestações excessivas e compulsivas causam desvios sexuais e erotização precoce.

É justa a preocupação de muitos pais quando suas crianças (principalmente meninas) estão descobrindo o sexo e, mais tarde, quando começam a se envolver com o sexo oposto (namoradinhos, coleguinhas, etc.). Têm razão para se preocuparem, pois com a hipererotização atual, nunca se sabe se o outro não é um sexo-maníaco que irá abalar a personalidade presente e futura de seus filhos. Na clínica, tratamos de vários adultos com problemas mentais e psicossomáticos  derivados de suas “brincadeiras” sexuais na infância, puberdade e adolescência. De onde provém essa exagerada “fome” de sexo que assola as sociedades modernas? Aí está uma das raízes desse grave problema que pode levar ao suicídio, crimes, promiscuidade, violência, prostituição, abortos, decadência cultural e pobreza social. Diariamente, a cada minuto, um número imenso de estímulos eróticos atinge os nossos sentidos.

A criança, desde a sua primeira infância está submetida a um intenso bombardeio de sensações dessa natureza, provocando-lhe a erotização, antes mesmo do seu amadurecimento genital e das estruturas cerebrais responsáveis pela atividade sexual. O erotismo antecipado é causa de graves transtornos psicossomáticos e de degradação social. Quando cedo é despertado, condiciona as pessoas imaturas a pensarem muito no sexo, desviando-as das atividades mais importantes para elas e para a comunidade. Um indivíduo super erotizado deixa de ser Homem para se tornar, apenas, um macho ou uma fêmea animal, tal como os seus ancestrais zoológicos. Desleixa-se do seu preparo intelectual (única diferença entre os humanos e os animais irracionais) e social, fixando-se, avidamente, nos prazeres efêmeros e momentâneos do “aqui-e-agora”. A grande maioria dos mais novos em idade encontra-se nesta situação calamitosa, atestada pela intensa decadência cultural, sobejamente demonstrada nas pesquisas de opinião, nos resultados de exames vestibulares, concursos públicos e nas páginas criminais dos Jornais e nos noticiários televisivos. Não é preciso lembrar que esses estímulos erotizantes são, em sua maioria, gerados e propagados pelos meios de comunicação (como já nos referimos acima), principalmente pela Televisão.

Este grande invento, transformou-se  no maior e mais forte condicionante dos maus costumes e inúmeros comportamentos negativos. Invadindo, em qualquer horário, quase todos os lares de todas as cidades e recantos do mundo (até nas tribos indígenas), a TV promove a expansão do erotismo sem limites, vulgarizando o ritual amoroso natural, reduzindo-o a mero objeto e objetivo de prazer inconseqüente e irresponsável. Para se avaliar os seus efeitos nocivos e perversos, basta que se compare os costumes (principalmente familiares) de uma pequena cidade, antes e depois da invasão e intromissão da Televisão. Até em uma mesma cidade poderemos avaliar a diferença quando se analisa os costumes das famílias viciadas em TV e das que não são.

Geralmente os veículos de publicidade se utilizam de imagens femininas, de forma subserviente e vulgar para ganhar audiência e lucrar com os seus  patrocinadores (também ávidos por lucros, pouco ou nada se importando com as suas vítimas) . Nada escapa ao oportunismo desses comerciantes; qualquer novela, por exemplo, mesmo em horário matinal, apresenta erotismo, intrigas, agressividade, além de estimular a vadiagem, o adultério e  a “esperteza” (entenda-se: desonestidade ). Praticamente não existe mais publicidade comercial que não se utilize do apelo erótico e agressivo, até mesmo expondo imagens e símbolos sagrados de religiosidade (não  utilizam os símbolos militares,  porque é menos perigoso desafiar Deus, que é muito mais paciente e benevolente que as Forças Armadas !)  Não escapam da onda erotizante os programas ditos “infantis”, em que algumas vezes crianças são estimuladas a se apresentarem com vestimentas sensuais, dançando e se rebolando lascivamente, imitando muitos adultos decadentes e desestruturados. Não é raro que alguns apresentadores e produtores desses programas exibam  pessoas que são símbolos sexuais notórios e conhecidos em publicações eróticas (prostituição) ! 

Imaginem tais pessoas modelando e educando a personalidade dos nossos filhos!  Inconscientemente influenciam as crianças, tornando-se exemplo de comportamentos eróticos, sexistas e sensualistas. É natural que as crianças queiram imitá-los, julgando esses trejeitos lascivos atraentes, bonitos e dignos de serem imitados. Não nos espantemos com a irresponsabilidade social futura de nossos filhos; eles estarão, brevemente, muito ocupados com o embelezamento de seus corpos para usufruírem por mais tempo e com mais parceiros, dos encantos físicos da sensualidade exacerbada. Raros serão aqueles que se preocuparão com o cultivo dos autênticos valores humanos e sociais. Com citamos no começo, o Homem, como os demais animais, tem a sua sexualidade natural e funcional. Porém, os outros animais usam o sexo apenas como meio de procriação e perpetuação da espécie; sendo esta, a razão única da diferenciação sexual entre machos e fêmeas; desde os animais inferiores até os Primatas não humanos. A finalidade do sexo é a de procriação  e manutenção das Espécies. Naturalmente esta é, de fato, a finalidade do sexo. Portanto, o sensualismo e o erotismo são criações humanas com a finalidade de expandir o prazer no ato procriador.

Os humanos  Foram mais além, desvirtuaram o sexo de suas naturais finalidades biológicas, tornando-o  em  maior fonte de prazer, através do erotismo,sensualismo e sexismo compulsivos. A procriação, razão única do sexo, passou a ser até indesejável. Calcula-se em milhões o número de abortos provocados, só no Brasil, anualmente! Deste número, quase a metade refere-se a abortos em adolescentes. Segundo dados jornalísticos praticam-se em nosso País, cerca de 6 ou mais abortos por minuto, com a finalidade de se desvencilhar do fruto do sexo irresponsável e inconseqüente. E a nível mundial? E as muitas outras formas de contracepção existentes!
E o grande interesse e gastos com a pesquisa abortiva e preventiva do nascimento? Somente vistos sob esses ângulos, já temos motivos de sobra para pensarmos melhor sobre o condicionamento dessa sexualidade exacerbada. Mas, não é “só isso” o que nos preocupa; há muitos outros fatores sérios e até alarmantes. O emprego de drogas, corrupção, vadiagem, doenças mentais e físicas, bebidas, crimes e propagação de doenças sexualmente transmissíveis; muitas vezes associadas ao erotismo e à sexualidade irresponsável. E as novas doenças que surgem originadas da promiscuidade e desvios sexuais? 

Agora vamos analisar as origens internas da erotização precoce e da hiperssexualidade. O que acontece dentro da cabeça de uma pessoa que recebeu e recebe exagerado número de provocações eróticas?  Sabemos que qualquer comportamento, ação, idéia, pensamentos e movimentos; dependem do comando cerebral. As unidades cerebrais, os Neurônios, são os responsáveis por todos os atos humanos, quer sejam conscientes, quer inconscientes. As pesquisas psicobiológicas vêm localizando no interior cerebral grupos de células que comandam os nossos múltiplos comportamentos. Elabora-se, cada vez melhor, o mapa cerebral que define regiões encefálicas que são responsáveis por atividades como a olfação, audição, visão, tato, gustação, movimentos voluntários e autônomos, emoções, pensamentos, memória etc. Interessam-nos neste trabalho, algumas estruturas intracranianas que compreendem diversos núcleos neuronais (conjuntos de células), relacionados com as emoções e com o sexo. Essas estruturas são: o Hipotálamo e o Sistema Límbico. Este último é representado por algumas estruturas de neurônios e a hipófise, que em ligação íntima com o hipotálamo, formam, por assim dizer, o substrato anatômico e material das emoções.

O Hipotálamo engloba alguns núcleos neuronais e está situado no diencéfalo, pouco acima do tronco cerebral. Os núcleos hipotalâmicos se relacionam com inúmeras funções neurovegetativas, vitais para o organismo. É importante conhecermos as relações do hipotálamo com os estados emocionais de agressividade, violência, choro, riso, apatia, etc. e com a atividade sexual. Ressaltamos que nenhum desses conjuntos de células (núcleos) e estruturas nervosas trabalham  isoladamente. Pelo contrário, todo o cérebro está interligado através de micro-estruturas, funcionando o Sistema Nervoso de forma integrada para o necessário equilíbrio biopsicossocial. O cérebro processa milhões de estímulos por minuto, em estado de vigília. Esses estímulos são as sensações internas referentes ao funcionamento de todos os órgãos e estruturas internas; assim como, os estímulos externos que incidem sobre os receptores dos cinco sentidos, provenientes do mundo externo. A maior parte desses estímulos é inconsciente para o indivíduo.

Os estímulos ambientais físicos, químicos e mecânicos, incidem sobre as terminações nervosas localizadas nos receptores sensoriais, localizados nos órgãos dos sentidos que transformam esses sinais do mundo exterior, em impulsos nervosos. Esses impulsos se encaminham, em forma de código, aos centros nervosos específicos do encéfalo. Todos os sinais assim recebidos são decodificados, onde serão respondidos através de respostas adequadas ao bom equilíbrio orgânico, chamado Homeostase. Comandam, ainda, os movimentos externos e serão, ou não, armazenados como memória para idéias e pensamentos propícios  a futuras ações adequadas à vida. Quando colocamos algo na boca; quando  cheiramos,ouvimos, vemos e sentimos na pele, percebemos a origem do estímulo  porque esses receptores sensoriais informam ao cérebro o que se passa, a fim de decidirmos a ação a ser tomada.

Incontáveis estímulos vindos do mundo são canalizados para o cérebro, gerando o comportamento consciente e inconsciente; enriquecendo o estoque de informações da memória, para a sobrevivência adequada no futuro. Quando recebemos os estímulos relacionados com o sexo, fome, sede, agressividade e diversos outros estados emocionais. Eles são direcionados para o sistema límbico e, particularmente, para o hipotálamo, que são centros neuronais especializados, situados no encéfalo.  Aí, os núcleos hipotalâmicos são estimulados, conforme a sensação e intensidade, recebidas pelos órgãos dos sentidos ( epiderme, olhos, ouvidos, nariz e boca. Ao ouvirmos, cheirarmos, vermos, provarmos e sentirmos na pele algo relacionado com sexo, o núcleo sexual do hipotálamo se ativa, estimulando , a seguir, as demais estruturas cerebrais, para o comportamento (ação ou idéia) sexual. O mesmo se passa ao lidarmos com pessoas agressivas ou ao  assistirmos cenas de violência, através dos múltiplos exemplos que presenciamos,ouvimos e sentimos no dia-a-dia, habituamos e condicionamos os núcleos hipotalâmicos da agressividade que irão gerar um estado constante de agressividade (vemos pessoas que sempre estão numa posição agressividade, como se estivesse  prevenida para um provável ataque !) Não é de se espantar que a violência cresce a cada dia e em todos os níveis e  partes do mundo.

Talvez não seja coincidência que o sexo prostituído  esteja muito ligado à violência, principalmente entre pessoas mentalmente atrasadas e imaturas. Como os núcleos do hipotálamo relacionados com o sexo e os da agressividade são vizinhos ( unidos uns aos outros), é nossa tese ( desde fevereiro de 1987) que a estimulação exagerada de um núcleo, interfere no funcionamento do outro, principalmente porque os impulsos nervosos são elétricos e, provavelmente, gera campos ionizados nas redondezas dos outros núcleos neuronais da vizinhança . Talvez ondas eletrizadas dos núcleos sexuais ativados interfiram para a estimulação da área da agressividade, da fome, da sede e outros grupos de neurônios vizinhos. É fácil ver-se isso nos machos acasalados. Eles se tornam ferozes, principalmente para a defesa da fêmea. Não se assemelha com o comportamento agressivo de certos homens enciumados?

Nas novelas, no cinema, nas revistas, no teatro, etc., há, comumente, uma mistura  “indigesta” de sexo, gula e violência. É uma excelente fórmula de atrair  leitores e expectadores , cujos hipotálamos  já estão condicionados (viciados)  no sexo e na violência. O pior é que cada vez  se exige mais perversão sexual  e, no caso da violência, esta se apresenta com requintes crescentes de mais violência e atrocidade; o assassínio não se restringe mais à morte do outro; mas, ao requinte atroz  que se faz no corpo e do corpo da vítima. A crueldade crescente atende ao suprimento da ansiedade exigida por hipotálamos doentios, criando um círculo vicioso  cruel e perigoso para todos nós.  Basta se ler os títulos de revistas, filmes, peças teatrais, novelas, livros e se ver os tipos de literatura expostos nas bancas de jornais de qualquer cidade ou país, para se aquilatar o nível erotomaníaco a que se chegou. A Imprensa, o cinema, a TV e os Editores sabem disso e alimentam esse processo perigosíssimo, mas, muito lucrativo para eles. Quase sempre nas novelas, filmes e demais meios de comunicação, há o endeusamento dos indivíduos mais agressivos e acrobatas  sexuais. Raro os programas de TV que não fazem a apologia da anormalidade, da agressividade, do sexismo e da violência; criando inúmeros seguidores imaturos.

Muitas pesquisas com cérebros realizados por neurocientistas de renome comprovam a veracidade desses fatos. A estimulação elétrica por micro-eletrodo  de determinados centros do hipotálamo, provocam violentas crises de agressividade; em outros pontos estimulados a resposta é uma intensa demonstração de erotismo. Como acreditamos que o excesso de estimulação erótica e agressiva, vindo do meio ambiente, altera as condições de funcionamento dessas importantes áreas cerebrais, será mera coincidência o aparecimento crescente das patologias sexuais? E a escalada de atrocidades e violência será, também, ocasional? É claro que não nos esquecemos  da injustiça social na raiz de muitos desses transtornos que os deixamos com os sociólogos, educadores, políticos e governantes menos afetados por seus inconscientes doentios. Ressaltamos, ainda, que os neuróticos sexuais, os agressores e os violentos nem sempre são os mais pobres e socialmente rejeitados. Além do mais, procuramos analisar, no presente trabalho, os acontecimentos “dentro” do cérebro excitado pelos incontáveis estímulos do mundo externo.

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Carleial. Bernardino Mendonça

Psicólogo-Clínico pela Universidade Católica de Minas Gerais;
Estudante de Direito da Universidade Estácio de Sá;
Escritor e Pesquisador nas áreas da Psicobiologia e do Direito.

" O COMPORTAMENTO ELEITORAL "




                O   COMPORTAMENTO   ELEITORAL ”

O tempo está passando mais depressa e, em breve, a sociedade brasileira estará escolhendo, mais uma vez, os seus governantes e representantes. Esses cargos, os mais importantes  da Nação, têm tudo a ver com os nossos interesses mais imediatos e mediatos. Deputados, Governadores, Vereadores, Prefeitos, Senadores e Presidente da  República, interferem de forma direta nos nossos lares, no nosso dia-a-dia, no  presente e futuro dos nossos filhos e de todas as famílias e cidadãos que formam a Sociedade. Os cargos políticos mais simples servem de trampolim para os seus ocupantes alcançarem posições mais elevadas nas suas ambições e trajetórias políticas, não raro chegando à suprema magistratura da nação; que é o sonho de todos eles. Os políticos que iremos   escolher e eleger, irão nos representar, governar, elaborar e decretar leis que beneficiarão ou prejudicarão a maioria da população, como por exemplo, mudando costumes, legislando para si, para a sua família e para os seus amigos e compadres; criando normas e promulgando impostos a seu bel-prazer, de forma muitas vezes arbitrária e injusta, afetando a minguada economia doméstica das pessoas honestas. São eles os responsáveis diretos pela qualidade de nossa vida, como a educação, segurança, aplicação da justiça, saúde, transportes, saneamento básico, higiene, lazer, vias públicas e outras importantes necessidades sociais.
Para cumprirem tão relevantes serviços, é mister que os nossos representantes sejam escolhidos de forma consciente, séria e madura, para que não tornemos a nos frustrar e a lamentar, arrependendo-nos ( como já o fizemos tantas vezes), com a escolha infeliz  de políticos e governantes amorais e imorais que há séculos flagelam a nossa estremecida Pátria. Ninguém pode negar que as nossas escolhas eleitorais têm sido a causa de toda a nossa  miséria moral, material e social. Pelos políticos que temos, devemos olhar para o “alto”, bater no peito três vezes e exclamar constrangido: “Mea culpa, mea máxima culpa ” . Dizia Platão que o governante deve ter em vista somente o bem público, jamais visar a si mesmo. É pouco provável que encontremos algum político ou candidato à altura deste preceito platônico. Apesar do baixo nível cultural, moral e mental de muitos candidatos, é obrigação de todo eleitor escolher, pelo menos os menos ruins.
É indispensável conhecermos a biografia dos candidatos, antes de concedermos-lhes a licença para nos representar. Quando, a cada pleito eleitoral elegemos oportunistas, desonestos, ignorantes e incompetentes, estamos deteriorando as nossas consciências, o futuro da nossa pátria, o porvir dos nossos filhos e o destino da própria sociedade. A irresponsabilidade dos eleitores é a causa maior da decadência moral, social, política e econômica que cronicamente maltrata o Brasil. Dezenas de novos candidatos atraídos pela cobiça do “melhor emprego do mundo”, e muitos outros velhos e conhecidos sanguessugas repetentes, constam em “listas sujas” que circulam, há muito, na Internet e em publicações oficiais ou não, com implicações na Justiça, processados por diversos crimes de maior ou menor gravidade. Muitos deles serão reeleitos e outros tantos serão eleitos pelo voto ignorante, pela curta memória e irresponsabilidade  de milhões de incautos brasileiros. O que podemos esperar e exigir de tais representantes?
Nas próximas Eleições, teremos mais uma chance de resgatarmos a nossa honra, nossa responsabilidade, nosso caráter e a nossa credibilidade, perdidas ao longo das muitas Eleições passadas. Votamos e elegemos contumazes espertalhões e notórios corruptos que fizeram da Política uma fonte eterna de enriquecimento ilícito próprio, familiar e dos amigos. Sob a proteção do manto da imunidade parlamentar eles garantiram o alvará e o direito ao crime sem castigo. É óbvio que não estamos nos referindo a todos os governantes e políticos; sabemos e conhecemos as honrosas exceções que não freqüentam as manchetes e as páginas criminais dos Jornais, Televisão e Revistas. Estamos nos constituindo em uma sociedade masoquista que tornou crônica a escolha  dos seus próprios algozes. Em verdade os nossos políticos estão longe de exibirem a envergadura moral e cívica de muitos políticos probos do passado. Estaremos a exigir demais dos atuais políticos e governantes se formos compará-los aos seus ilustres antecessores, do início da República. Entretanto, temos o direito de exigir deles um mínimo de decência, compostura e competência. Afinal, nós os colocamos nesses cargos para conduzirem os nossos destinos com zelo, decência, honestidade e competência; pagando-lhes altos salários e mordomias sem paralelo, além de muitas outras vantagens e estratagemas obscuras.
Isso já são um acinte e um atentado contra milhões de trabalhadores honestos que vivem no limiar da miséria material e cultural. Um país que ostenta os mais elevados níveis mundiais de pobreza, criminalidade, corrupção e ignorância; apresenta, por outro lado, os maiores gastos com os seus políticos e a sua politicagem. Bradam aos Céus as intermináveis filas para o atendimento médico público do INSS  e de seus conveniados, onde e quando milhões de pessoas carentes de recursos (e de futuro), idosos doentes, inválidos, deprimidos, revoltados e desnutridos, recebem como prêmio de uma vida inteira de trabalho honesto; a devolução minguada dos mais de trinta anos de contribuição previdenciária. Quanto do suor desses pobres miseráveis não é desviado para manter os imensos privilégios que irão gozar  muitos desses candidatos eleitoreiros que já estão “de olho” nas próximas Eleições! Evitaremos que os velhos e notórios corruptos de hoje continuem a nos surrupiar ou outros larápios, de hoje e de amanhã, retornem com os seus séquitos de vorazes vampiros do sangue da Nação? Vai depender de cada um de nós, com um pingo de consciência, honestidade e instrução primária.
É vergonhoso e desumano o contraste entre esses desafortunados brasileiros e os seus opulentos e peraltas “representantes”. “Cada povo tem o governo que merece”! Esta frase é antiga, conhecida por todos, e ninguém duvida que ela se aplique  à nossa sociedade. Se soubéssemos votar e escolhêssemos melhor os nossos candidatos, teríamos, hoje, uma sociedade mais rica, justa e competente. Falo muito em competência porque é ela que gera tecnologia, riqueza e trabalho. Não resta dúvida que a miséria social, moral, política e econômica que, cronicamente, nos atingem; são  frutos da nossa ignorância e irresponsabilidade social, por elegermos como representantes indivíduos ímprobos que desviam até as doações que recebemos de outros países e as parcas verbas  destinadas à merenda escolar de crianças famintas e dos miseráveis flagelados das secas e das enchentes. Os meios de comunicação estão aí, nos mostrando, diariamente, os atos imorais e impunes de muitos políticos dessa natureza. Sem falarmos das falcatruas que são acobertadas e não chegam ao conhecimento público. Mas, só o que vem à tona, é suficiente para nos causar o desabono e o descrédito na maioria desses representantes, eleitos por nós.
Não resta dúvida que ainda não aprendemos a escolher bem os nossos representantes. Votamos em qualquer indivíduo e, muitos deles, notórios desqualificados morais. Damos o nosso voto por gratidão em alguém que nos pagou uma cerveja, que nos deu um milheiro de telhas ou tijolos ou nos fez um favor qualquer; votamos em fulano que é parente, amigo de um conhecido, de um colega de trabalho, do vizinho ou companheiro de farra. Votamos em indivíduos que no ano eleitoral desfilam sorridentes pelos Mercados Municipais e Ruas, abraçando e beijando criancinhas pobres e suas raquíticas mães; candidato que aparece no balcão do boteco, dando tapinhas nas nossas costas, perguntando “interessado” pelas crianças (que, nem sempre  temos); elogiando  a nossa ”saúde” (que nem sempre temos) e muitas outras baboseiras pré-eleitorais. Prometemos votar em alguém que nunca ouvimos falar e que nos “empurra” um “santinho”, em cujo verso está estampada a sua foto, que às vezes  mais se parece com um marginal que  propriamente um candidato a um cargo de tamanha importância para a Sociedade. Votamos ainda, em Partidos, sem nos preocuparmos com a idoneidade moral e psíquica dos candidatos que eles nos oferecem. Praticamos, ainda, um crime social, quando, na última hora, na “boca da urna”, aparecem oportunistas (“cabos eleitorais”) forçando o voto da gente humilde e ignorante da periferia e nas cidades do Interior. Continuamos a votar pela beleza física, erudição, riqueza e carisma de certos candidatos que não servem nem para serem eleitores, quiçá para  representantes sérios e honestos.
Persistimos em vender e barganhar o nosso voto, elegendo até psicopatas. Quem conhece o comportamento de muitos políticos em pequenas cidades interioranas, verifica a trajetória perversa de alguns desses indivíduos para alcançarem os privilégios, proteção  e as facilidades desonestas que decorrem da  fama e do poder. São nesses pequenos “currais eleitorais” que nascem e nasceram muitos vultos nacionais. São nesses recantos humildes, distantes e esquecidos que os demagogos e desonestos, explorando a boa-fé e a ignorância dos humildes, iniciam a escalada para atingirem os cargos mais elevados da República, quando então, livremente poderão legislar em causa própria, usufruindo com os seus familiares e amigos, da parca riqueza nacional que  eles não contribuíram. O desrespeito à sociedade é tão grande que virou moda aqueles que são eleitos, nomearem seus amigos e correligionários que foram derrotados nas urnas, alojando-os em importantes cargos públicos, onde irão se locupletar das finanças públicas. Pelos péssimos exemplos que dão à população (principalmente aos incultos, imaturos e aos marginalizados), é que entendemos os principais motivos da nossa decadência moral, social e econômica.
Políticos eleitos, dessa forma irresponsável, sentem-se descompromissados de seus eleitores e com o social; já que foram eleitos à revelia da vontade honesta popular. Alguns deles, derrotados pelos votos  e recompensados por  seus correligionários eleitos podem sentir rancor do povo que não os elegeu e, assim, praticar toda sorte de manobras desonestas e prejudiciais, nas funções públicas que lhes foram presenteadas. É por tudo isso, bem como, por outros fatos escandalosos que se passam nos bastidores da política é que somos uma Nação rica com um povo miserável. Ainda se tem a ousadia e heresia de dizer-se que “Deus é brasileiro”!  Se o Criador já foi um dia brasileiro; há muito que Ele  já devolveu esta cidadania, envergonhado do povo que aqui colocou, como diz aquela velha piada do japonês que foi reclamar de Deus por ser o Japão um país tão pequeno e acidentado.  Novamente começam a surgir os candidatos com as mesmas promessas não cumpridas de sempre; a mesma demagogia eleitoreira que, embora se repita há séculos, continua enganando grande parte da população, alienada  pela pobreza material, cultural e mental.
Muitos deles serão eleitos e irão governar ou desgovernar as nossas Cidades, nossos Estados e o nosso País. Perpetuarão o  círculo vicioso da miséria material, moral e mental que nos açoita, impiedosamente, desde o Império. Todos eles voltarão a acenar com os velhos e desgastados chavões demagógicos como: “povo”, “massa”, “operariado”, “menos afortunados”, “preservação ecológica”, “menor abandonado”, “democracia”, “autoritarismo”, “marginalizados”,”entulho autoritário”, “liberdade” e muitos outros muito bem decorados. Exibirão suas faces sorridentes e angelicais em cartazes, calendários, “santinhos” e na televisão. Picharão as calçadas, muros, passeios, postes e árvores com os seus falsos perfis e ideologias. Novamente vamos vê-los e ouvi-los trocando acusações mútuas (algumas vezes combinado), em que cada um tentará provar-nos que o concorrente é mais corrupto. Todos eles procurarão ostentar aquela auréola que costuma cingir as cabeças dos anjos, santos e mártires. Neste ano eleitoreiro, muitos políticos procurarão valorizar e moralizar a sua profissão, criando “Sindicâncias” e “Comissões” para simularem a apuração dos seus próprios crimes. Os governantes, nesta época, se tornam bons e piedosos, acelerando e inaugurando  obras inacabadas de seu início de governo; financiando tudo para os pobres, desde radinhos de pilha até conjuntos habitacionais; dando aumento aos assalariados (que antes alegavam não ter “caixa” para dar), destinando verbas para tudo e para todos; “segurando” os preços de produtos essenciais (para depois majorarem absurdamente), reduzindo impostos, anistiando caloteiros, etc., etc.
Finalmente, é bom lembrar que a nossa vida, o bem-estar de todos nós e o destino dos nossos filhos irão depender da  escolha que fizermos nessas próximas eleições de  outubro. Jamais se esquecer de observar a vida pregressa de todos os candidatos que aí estão. Não dê o seu voto a nenhum deles que esteve ou esteja envolvido em qualquer tipo de crime.
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Carleial. Bernardino Mendonça;
Belo Horizonte – MG.
CARLEIAL Bernardino Mendonça
Perfil do Autor:
Psicólogo-Clínico pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais;
Estudante de direito da Universidade Estácio de Sá;
Escritor e Pesquisador na área da Psicobiologia e do direito.